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segunda-feira, 14 de setembro de 2026Noticias em tempo real
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4 vozes indígenas para salvar o planeta

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4 vozes indígenas para salvar o planeta
Reprodução) Autor de livros como ‘Histórias de índio’, ‘Kabá Darebu&#8217

Diante do avanço da crise climática, com ventos fortes, enchentes, secas prolongadas e ondas de calor, cresce a discussão sobre como conter o aquecimento global. No entanto, os povos indígenas, que há séculos protegem as florestas e a biodiversidade, ainda têm pouco espaço nessas conversas. Para marcar o Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 09 de agosto, lideranças indígenas compartilharam suas reflexões sobre a defesa do meio ambiente.

O escritor e educador Daniel Munduruku, doutor em Educação pela USP, afirma que os povos indígenas estão conectados com a natureza de forma a equilibrar a vida com as necessidades físicas e biológicas. Para ele, o pensamento ocidental, baseado na produção de riquezas, ignora outros valores. Munduruku defende uma presença maior do Estado na Amazônia, com atuação da Polícia Federal e da Polícia Ambiental, para reduzir as mortes de indígenas e a perseguição a lideranças que lutam pelo meio ambiente. Ele acredita que o Brasil poderia ser referência mundial no enfrentamento à crise climática, por concentrar recursos como água doce e biodiversidade, mas a falta de compromisso dos governantes impede esse avanço.

O xamã e líder político Davi Kopenawa, do povo Yanomami, pediu apoio da população urbana para pressionar os "homens de dinheiro" a interromperem a destruição da natureza. Durante a Bienal do Livro de São Paulo, ele defendeu que as pessoas precisam conhecer a sabedoria da floresta. Para os Yanomami, a floresta faz parte da vida e da cultura, e é dela que vêm a água limpa e a alegria. Kopenawa sugere que a aproximação com os povos originários é um caminho para enfrentar a crise, não para aprender a língua yanomami, mas para aprender a se apaixonar pela floresta.

Ailton Krenak, autor de "Ideias para adiar o fim do mundo", critica a ideia de que outros mundos possam ser habitados. Ele afirma que a experiência de vida só é possível na Terra e que a lógica da produtividade faz com que deixemos de reconhecer o valor da vida por si mesma. "A vida é fruição, é uma dança cósmica", diz. Krenak observa que quem vive na floresta sente as mudanças ambientais de forma concreta, como o caçador que precisa caminhar dias para encontrar animais que antes viviam perto da aldeia. Nas cidades, essa percepção é mais distante, pois os recursos parecem estar sempre disponíveis.

A deputada federal Sonia Guajajara critica o estilo de vida baseado no acúmulo de bens. Ela conta a história do "índio pescador" para ilustrar a diferença entre a busca por dinheiro e a vida tranquila. Para ela, o modo de vida dos povos indígenas age como uma barreira de proteção contra o caos. "O mundo precisa muito de nós, porque o que a gente faz segura toda essa onda de desastre e destruição", afirma. Sonia defende que as pessoas reconheçam o potencial dos povos indígenas para preservar a Terra.

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